terça-feira, 29 de junho de 2010

A importância do funk para o jovem da periferia

Por João Batista Soares de Carvalho.

Nesse mês de junho dois alunos (Edson e Maxswell) da 8ª Série da EMEF Antônio Carlos de Andrada e Silva da Vila Jacuí, Zona Leste da cidade de São Paulo, me procuraram para que eu falasse sobre a importância do Funk para os jovens. Eles estavam produzindo um programa de rádio para um projeto do CDC Tide Setúbal na escola. Esses alunos fizeram um levantamento e descobriram que o ritmo preferido dos jovens estudantes dessa escola é o funk.

Perguntaram-me sobre a história do funk e resumidamente eu resgatei um pouco da origem do ritmo nos Estados Unidos marcado pelas batidas e pelos metais, destacando a figura de James Brown. Depois falei um pouco sobre a apropriação da Miami Bass feita pelas equipes de bailes do Rio de Janeiro até a criação de letras sobrepostas a essas batidas mais eletrônicas.

Sei que alguns esperavam que eu fizesse uma crítica ao funk carioca. Só que o funk não é uma coisa só, apresentando uma gama de letras para todos os gostos: românticas, pornográficas, apologias, políticas, afirmativas. É só escolher a que mais agrada ou não, pois ninguém é obrigado a gostar.

Perguntado sobre porque o dos jovens gostarem tanto do funk eu digo que o ritmo agrada muito, mas não podemos negligenciar o fato da letra chamar muito a atenção. A letra é transgressora principalmente permitir que um jovem de periferia, afrobrasileiro, pobre (que nunca teve voz e vez) fale o que pensa.

Defendo na entrevista que o funk atual do Brasil é alvo de um forte preconceito de ordem racial e classista. O problema do funk não está no que se canta e sim em quem canta. Se a mesma música dos funkeiros for interpretada por algum cantor da “MPB”, provavelmente não receberá as mesmas críticas que recebem os jovens pobres e negros de periferia que ousaram emitir opinião de forma pública.

O que procuro destacar nessa entrevista é o fato dos afroamericanos e afrobrasileiros usarem o funk para expressar sua condição de classe e de etnia, expressar a luta pela voz, pelo direito de expor sua visão de mundo.

Ouça o áudio da entrevista:
video

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